Especialista fala de sequelas e possível necessidade de reabilitação nos infectados pela Covid-19



ENTREVISTA: Dr. Ciro Kirchenchtejn, pneumologista

PORTAL ZENTA: Pessoas que apresentam quadros de asma, rinite ou outras precisam ter cuidados especiais em relação à prevenção contra a Covid? Alguma orientação em relação a mudanças bruscas de temperatura, como tem sido cada vez mais frequente?


CIRO KIRCHENCHTEJN: A Covid pode infectar qualquer pessoa, em qualquer lugar e em qualquer fase da vida. Mas costuma ser mais grave em pessoas com mais de 60 anos, principalmente se são obesas, com Diabetes, com Hipertensão Arterial e se fumam. As asmáticas que fazem uso de seus medicamentos e encontram-se bem controlados não têm maior risco de complicações pela Covid-19.

Z.: Quando aparecem sintomas típicos de gripe, como saber diferenciar entre ela e uma pneumonia ou outras doenças, e como saber a hora de procurar o pneumologista?

C. K.: Durante a pandemia, se alguém se encontrar com sintomas gripais, com febre e falta de ar, pode conseguir orientação não presencial através de uma teleconsulta médica ou deve se dirigir ao pronto-socorro de Covid, que estará melhor equipado e num ambiente seguro para si e para os outros.


Z.: Quais as melhores práticas em relação ao uso da máscara? Como agir no encontro de pessoas sem máscara? E na utilização em atividade física?


C.K.: Para prevenir a infecção pela Covid, mesmo tomando a vacina, deveremos manter o uso de máscaras cobrindo as narinas e a boca, mantermos pouco tempo em contato com outras pessoas e com distanciamento de 1,5 metros e lavar as mãos com sabão ou álcool 70 sempre que quisermos levar a mão à face ou após tocarmos em qualquer superfície suspeita.


Z.: Muitos pacientes se curam da Covid-19, mas carregam sequelas por vários meses. Poderia falar sobre elas? Quais são e como tratá-las?


C.K.: A infecção pela Covid por deixar cicatrizes nos pulmões, mantendo falta de ar e queda da oxigenação, problemas cardíacos, vasculares como trombose e embolia, fraqueza muscular e desnutrição, e problemas de quem ficou muito tempo em ventilação mecânica na UTI, que vão de alterações psiquiátricas a paralisias.

Os pacientes com sequelas mais graves requerem muitas vezes reabilitação com fonoaudióloga, fisioterapeutas, suporte psicológico, entre outros.


Z.: Pelo que temos acompanhado, em alguns casos mais graves os pacientes precisam lidar com consequências como embolia pulmonar. Como enfrentar esse diagnóstico?


C.K.: A inflamação pelo vírus da Covid-19 pode desencadear uma cascata inflamatória que aciona o sistema de coagulação, favorecendo processos de trombose. Os médicos precisam estar atentos a inchaços das pernas, com formação de varizes e dor, dores súbitas no tórax com sangramento das vias aéreas. A trombose venosa e a embolia são urgências médicas e devem ser diagnosticadas e tratadas com rapidez e eficiência nas primeiras horas de sintomas.


Z.: Qual o tratamento adequado para que o paciente retorne às atividades o quanto antes e não tenha nenhuma sequela mais grave ou por mais tempo?

C.K.: Não existe um medicamento eficaz para matar o vírus. Assim, o retorno às atividades normais depende do paciente não estar mais infectando outras pessoas. Isto ocorre após dez dias de infecção nos quadros leves e 20 dias nos casos mais graves.

Depende do paciente ter-se curado do quadro gripal e das possíveis complicações da infecção.

Nos casos mais graves, o médico individualiza cada paciente para estabelecer um plano de reabilitação e o retorno às atividades normais.

Dr. Ciro Kirchenchtejn é Pneumologista da Unifesp e do Hospital Alemão Oswaldo Cruz


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