Urologia
Médico alerta sobre a saúde do homem e a prevenção ao câncer de próstata

ENTREVISTA: MARCELO PITELLI TURCO, MÉDICO UROLOGISTA

 

Z: Com que idade se recomenda que o paciente do sexo masculino visite o Urologista pela primeira vez para o diagnóstico precoce do câncer de próstata? Quais os fatores de risco para a doença? 

 

MARCELO PITELLI TURCO: Existe uma grande controvérsia em relação a isto e recomenda-se uma abordagem individualizada. Sabemos que, se não considerarmos idade, raça e histórico familiar, podemos diagnosticar um número expressivo de cânceres de próstata que apresentam baixa agressividade e evitaríamos que pacientes que não necessitam de nenhum tratamento fossem submetidos a procedimentos desnecessários, como, por exemplo biópsias e até mesmo cirurgias. 

Os pacientes negros e aqueles que têm algum familiar de primeiro grau que tenha tido câncer de próstata apresentam um risco maior para esta patologia. Assim, recomenda-se que estes sejam avaliados pelo urologista após os 45 anos. Os demais homens devem procurar um urologista após os 50 anos para que seja verificada qual conduta será necessária para detecção precoce do câncer de próstata.

 

Z.: Como prevenir?

 

M.P.T.: Não existem dietas e medicamentos efetivos para a prevenção do câncer de próstata. Sabemos que pacientes com circunferência abdominal maior que 102 cm apresentam maior risco para estes tumores enquanto os obesos têm maior incidência para os tumores de próstata de “alto risco”. 

 

Z.: O PSA (antígeno prostático específico) é suficiente para diagnosticar o câncer de próstata? 

 

M.P.T.: Não, o PSA é um exame utilizado para triagem do câncer de próstata. Hoje discutimos com os pacientes os benefícios de sua realização, pois sabemos que o PSA ajuda a detectar a doença, porém a maioria destes tumores são os de “baixo risco” e não necessitariam de tratamento específico. Novamente, os pacientes que se beneficiariam do PSA são os que têm acima de 45 anos que são negros ou com antecedentes familiares de câncer de próstata, e os que têm acima de 50 anos. 

Também nos utilizamos do toque retal, em especial nos pacientes com níveis de PSA maiores que 1mg/ml abaixo dos 60 anos de idade, e com níveis de PSA acima de 2 mg/ml acima desta idade. 

O diagnóstico definitivo só ocorre após a biópsia, que é realizada em casos de suspeita de câncer de próstata.  

 

Z.: Quais são os principais sintomas da doença? 

 

M.P.T.: Nas fases iniciais, raramente dá sintoma. Isto ocorre pois, na sua grande maioria, estes tumores estão localizados (inicialmente) na periferia da glândula. Os sintomas são mais frequentes nos pacientes que apresentam crescimento benigno da próstata. Este sim, por ser central, causa dificuldade de esvaziamento da bexiga e estes pacientes podem apresentar diminuição da força e do calibre do jato urinário, dificuldade para iniciar o jato urinário, ter que levantar muitas vezes para urinar, ter a sensação que a bexiga não esvaziou completamente, dentre outros. 

 

Z.: Quais os tratamentos? 

 

M.P.T.: O tratamento irá depender de vários parâmetros, tais como: idade do paciente, tipo histológico de tumor e a fase da doença (que nós médicos chamamos de estadiamento). Com estes parâmetros, definimos os pacientes em graus de risco e o tipo de tratamento. Os pacientes de “baixo risco” podem ser aconselhados a ficar em vigilância ativa, isto é, permanecem apenas em acompanhamento periódico, sem necessidade de qualquer tratamento específico (por exemplo, cirurgia ou radioterapia). Os pacientes com “risco intermediário” ou os de “alto risco” terão a sua conduta individualizada e poderão ser submetidos à alguma forma de radioterapia ou de cirurgia. 

Nos últimos anos, as cirurgias de próstata, as chamadas prostatectomias, ganharam um grande aliado: o robô. A cirurgia robótica, na qual o médico comanda um robô, tem benefícios sobre a cirurgia convencional (aberta). Com a robótica, proporcionamos um pós-operatório menos desconfortável e com resultados oncológicos semelhantes.


Marcelo Pitelli Turco é Doutor em Urologia - Faculdade de Medicina -USP; membro titular da Sociedade Brasileira de Urologia; membro internacional da American Urological Association; coordenador do Grupo de Disfunções Miccionais do Hospital de Transplantes Euryclides de Jesus Zerbini.

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